A Supervalorização da Estética e a Gordofobia em Tempos de Pandemia de Covid-19 - Coronavírus - Miss Explica

A Supervalorização da Estética e a Gordofobia em Tempos de Pandemia de Covid-19 - Coronavírus

A supervalorização da estética e a gordofobia em tempos de pandemia de Covid-19 - Coronavírus

Deixando claro que antes de qualquer especulação, o post se trata unica e exclusivamente da opinião pessoal da autora perante acontecimentos recentes na internet.

 

Frequentemente estamos nos deparando com imagens de antes e depois da quarentena, como se uma pessoa engordasse 60 quilos em um período curto de tempo ou se como engordar fosse o maior problema da população nesse e em ualquer momento. 
O body-shaming (conduta que consiste em criticar os defeitos físicos das pessoas, com comentários que podem ferir quem os recebe) e a gordofobia têm se tornado presença constante no "humor" das redes sociais, me fazendo refletir sobre essa questão e o que realmente importa.

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Sabemos que o mundo passa por momentos obscuros e incertos em que a preocupação maior deveria ser se manter vivo, não infectado e não disseminar o COVID-19 ao seu próximo. É sobretudo, um tempo de empatia, uma vez que a transmissão se tornou comunitária. Informações sobre o COVID-19 e prevenção CLIQUE AQUI. (Lembrando que a prevenção mais eficaz é ficar em casa).
Há no mundo um coeficiente deficitário que é denominado de castas ou classes sociais, onde as mais baixas nesse cenário de atual contaminação sofrerão com:
  • Sistema de saúde colapsado
  • Familiares e pessoas próximas morrendo
  • Impossibilidade de isolamento social em comunidades/favelas
  • Impossibilidade de testagem, tratamento e futura vacinação
  • Desinformação
  • Desconhecimento de meios de contágio
  • Falta de atendimento hospitalar, leitos e profissionais
  • Falta de suprimentos alimentares (obrigação do governo em estado de calamidade)
  • Dentre tantas outras situações.
Mas onde a supervalorização da estética deveria se encaixa em meio a esse caos? Justamente: em lugar nenhum. 
O planeta está deixando uma mensagem clara de que está farto de futilidade e de falta de empatia com o próximo, seja por sua aparência, seja por sua condição social.
Cuidar da saúde física e mental é essencial: mas nesse panorama de doença infecto contagiosa o mais sensato a se fazer é fortlecer nossa imunidade física com alimentos saudáveis e nosso psicológico com alimentos "nem tão saudáveis" perante o físico, mas que fazem um bem danado pra alma, como o caso de doces, chocolates, pizza, lanches e outros grupos de alimentos que hoje em dia se tornaram o terrorismo nutricional do ser humano (Gente, é só comida. Assim como excesso de açucar fz mal, uma dieta restritiva pode fazer um estrago ainda maior - tudo é questão de equilíbrio).
Não há nada de errado em se consumir algo que está entre os alimentos acima citados APENAS por puro medo de engordar. Não faz sentido.
Eu sempre falo isso frequentemente em meu Instagram: quem pode se dar ao luxo de comer o que quiser em época de pandemia (ou qualquer outra, já que nosso mundo não é o melhor lugar socialmente condicional) é privilegiado. Então assuma seu priviégio de poder e ter o que comer e se liberte de tanta aflição.
Você não vai ganhar peso se comer o que tem vontade, assim como não vai perder se parar de comer. O peso da culpa no fim do dia, sobrecarrega mais a balança do que de fato seu corpo. Não se sinta culpado pelo ato de comer e não somatize isso para seu corpo.

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Todos os corpos são lindos e não há motivo para críticas do corpo ou a saúde alheia, já que é algo pessoal e intransferível e que compete apenas a pessoa que mora dentro daquele corpo.
O que nos compete nesse exato momento é respeitarmos as diferenças de cada biotipo e refletir sobre: sororidade, não julgamento, consciência social e se o uso de sua voz ou visibilidade (no caso dos influencers) estão tendo um impacto positivo na vida das pessoas (Já aproveitando o ensejo para abrir um link aos influencers).
Influencer, se questione:
- Será que meu público vai deixar de se alimentar para consumir o que eu ofereço numa pandemia? Se não, não seria a hora de se unir a esse público que me deu voz e os fazer representados?
- Será que não é melhor eu usar minha visibilidade para a conscientização das pessoas acerca do coronavírus?
- É a hora certa de exaltar a magreza, dietas, suplementos, pílulas e shakes milhagrosos diante de milhares de pessoas passando fome?
- Será sensato sair de casa e continuar fazendo representações com um vírus de transmissão comunitária a solta enquanto milhares de pessoas não podem velar os entes queridos? Pra quem eu farei representações se não houver mais um público?
- Então é certo da minha parte postar que ao final de uma quarentena e um isolamento social rigoroso por uma doença altamente contagiosa, que eu estarei obeso como se essa fosse a única preocupação da minha vida?
Voltando ao foco da questão, e diante de todos os acontecimentos que vêm assombrando nosso futuro, se preocupar em ganhar peso é algo tão fútil e irrelevante.
Não é para deixar de se cuidar, é para priorizar o que realmente importa. E no momento, não é o seu peso.

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